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Kriolu para lusófonos

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Cartas — 115 parolas

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A1.1Beginner · Foundations

2. O que é o crioulo cabo-verdiano?

O crioulo cabo-verdiano (kriolu ou kabuverdianu) é a língua materna de praticamente toda a população de Cabo Verde — cerca de meio milhão de pessoas no arquipélago e uma grande diáspora. É o crioulo de base portuguesa mais antigo ainda falado.

Apesar de o português ser a língua oficial, o kriolu é a língua do dia a dia, da música e da família. Para um lusófono o léxico é muito reconhecível, mas a gramática é genuinamente crioula: os verbos não se conjugam como em português, e o tempo marca-se com partículas.

A1.2Beginner · Building Basics

Porquê aprender?

  • Léxico familiar — Como lusófono, reconhecerás a maioria das palavras logo à partida.
  • Gramática crioula — Verbos invariáveis e partículas de tempo/aspeto mostram uma lógica diferente da portuguesa.
  • A morna e a morabeza — A música (Cesária Évora) e a hospitalidade cabo-verdiana ganham outra dimensão na língua.
  • Ponte para outros crioulos — Ajuda a entender o crioulo da Guiné-Bissau e outros crioulos atlânticos.
A2.1Elementary · Everyday Language

4. Gramática essencial

O kriolu tira o vocabulário do português mas tem gramática de crioulo: o verbo não muda com a pessoa, e o tempo/aspeto vem em partículas antes do verbo.

Verbo invariável + partículas (TMA)

Com o verbo papia («falar»):

KrioluPartículaPortuguês
N papia(verbo nu) — passado pontualeu falei
N ta papiata — presente/habitualeu falo
N sta ta papiasta ta — progressivoestou a falar
N ta papiabata…-ba — imperfeitoeu falava
A2.2Elementary · Expanding Range

Pronomes e posse

  • Sujeito: N (eu), bu (tu), el (ele/ela), nu (nós), nhos (vocês), es (eles).
  • Posse: nha (meu), bu (teu), se (dele/dela) — nha kasa (a minha casa).
  • Não há concordância de género como em português: o adjetivo costuma ficar invariável.

Há duas grandes variedades: Sotavento (Santiago/Badiu) e Barlavento (São Vicente). Diferem na pronúncia e em algumas formas; este guia segue sobretudo o Santiago.

B1.1Intermediate · Independent Use

5. Pronúncia

A pronúncia parte do português mas com mudanças próprias. A ortografia varia (existe o ALUPEC oficial e grafias de base portuguesa); aqui usa-se uma grafia legível.

GrafiaSomExemplo
dj/dʒ/ — como «j» inglêsfidju (filho)
tx/tʃ/ — como «tch»txuba (chuva)
nh/ɲ/ — como «nh» portuguêsnha (meu/minha)
x/ʃ/ — como «ch» portuguêspexi (peixe)
s (Barlavento)frequentemente /ʃ/ no fim de sílabanos → «nosh»
vogais átonasmuito reduzidas, às vezes caemmnino (menino)
B1.2Intermediate · Connected Language

6. Erros comuns dos lusófonos

  • Tratar o kriolu como «português mal falado» — é uma língua com a sua própria gramática. Respeita-a como tal.
  • Conjugar os verbos — o verbo é invariável. Não digas papiamos; é nu ta papia.
  • Esquecer as partículas TMA — sem ta, sta ta ou -ba, o tempo fica errado.
  • Impor a concordância de género — os adjetivos costumam não variar como em português.
  • Misturar Sotavento e Barlavento — escolhe uma variedade (Santiago ou São Vicente) e mantém-na.
B2.1Upper-Intermediate · Fluency & Nuance

7. Recursos para aprender

8. Cultura e contexto

Morabeza

A morabeza — a hospitalidade calorosa e o acolhimento cabo-verdiano — é um valor central. Falar kriolu, mesmo umas frases, abre portas de imediato.

B2.2Upper-Intermediate · Consolidation

Sodadi e morna

A sodadi (saudade) é o coração da morna, o género musical eternizado por Cesária Évora. Muito da emoção cabo-verdiana vive nessa palavra e nessa música.

Diáspora

Há mais cabo-verdianos fora do que dentro do arquipélago (Lisboa, Boston, Roterdão…). O kriolu é o fio que liga essa diáspora, e o esforço de quem o aprende é muito valorizado.

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